24 maio 2007

Internauta, Reze pra Santo Isidoro


Você pode até não saber o que está fazendo na Internet, mas com certeza existe alguém olhando por você... Santo Isidoro de Sevilha é o padroeiro dos BONS usuários da Internet. Tem até oração:

Deus eterno e todo-poderoso, que nos criou à sua imagem e semelhança e nos fez procurar tudo o que é bom, verdadeiro e belo, especialmente na divina pessoa de Seu Filho unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo, permita-nos que, através da intercessão de Santo Isidoro, bispo e doutor, durante nossas jornadas pela Internet, nós dirijamos nossas mãos e olhos apenas ao que é agradável a Vós e tratemos com caridade e paciência todas as almas que encontremos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Além da Internet, Santo Isidoro também é considerando patrono da computação e dos estudantes. Essa homenagem é devido ao fato de que ele foi considerado, por excelência, o "Doutor da Igreja" e um grande enciclopedista. Sua relação sacra com a computação baseia-se no fato de ele ter criado sistemas para classificação de dados em suas enciclopédias. Quem quiser acender uma vela ou fazer uma promessa, ou mesmo uma quermesse em homenagem ao santo, o dia dele é 04 de abril (04/04 ou ainda 00000100/00000100 ou 0x04/0x04, quem sabe binário e hexa entende o que eu digo...)

Então, da próxima vez que o seu PC com Windows trancar, ou aquele download estiver muito lento, ou ainda se você espera, por milagre, que sua conexão discada torne-se uma ADSL ilimitada, reza pra Santo Isidoro...

16 maio 2007

Mistérios Matemáticos

Sub-título (sugestão de um aluno meu): Site Misterioso em Javascript + Macumba

Não sou um especialista em matemática, mas às vezes o pessoal que coloca algumas coisas na internet acha realmente que a gente é ignorante. Com freqüência recebo indicação de links de sites ou comunidades no orkut nas quais alguém descobriu "o terceiro segredo de Fátima" na matemática.
Na verdade a maior parte deles não passam de brincadeiras antigas de "ilusionismo", na qual trabalha operações matemáticas que as pessoas demoram a validar a contra-prova. A exemplo desse aqui:

http://www.vwgdesign.com.br/vwgdesign/pop_trab_acad_pensamentos2.htm

Matematicamente é muito fácil explicar o que acontece:
- Toda vez que você escolhe um número com 2 algarismos, está optando, por assim dizer, por um número com o seguinte formato:
du : onde "d" é o algarismo das dezenas e o "u" é o algarismo das unidades.

- A "brincadeira" pede para você subtrair os dois algarismos do número original
du - d - u = y

- perceba então o que acontece: ao subtrair "u" de "du", o resultado é sempre um número do tipo "d0", ou seja, sempre um múltiplo de 10 (10 * d).

- agora, quando você subtrai "d" de "d0", está na verdade conseguindo um valor "y" que é um múltiplo de 9, pois é equivalente a ter feito:
10 * d - 1 * d = 9 * d

- Se prestar atenção na tabela que aparece no site, verá que os números múltiplos de 9 têm todos o mesmo símbolo, o qual eles mudam constantemente, para tornar a magia mais interessante e dificultar um pouco a descoberta.

- Desfeita a "mágica".

15 maio 2007

Liberdade e Libertinagem

Nos idos de 1989, quando entrei no já extinto (graças à "maravilhosa" LDB de 1996) curso de Informática Industrial do CTU da UFJF, tive aula, logo no primeiro ano, com a Prof. Maria Inês (acredito que é assim a grafia correta), nas disciplinas de EMC (Educação Moral e Cívica) e OSPB (Organização Social e Política Brasileira). A despeito de toda carga histórica de demagogia e relação com a didatura, uma coisa aprendi com aquela professora nesses espaços de "civismo" e "moral": Liberdade não rima com libertinagem.

Para ela e para mim, como ficou marcado, é possível criar e estimular um ambiente de liberdade aos alunos sem que se descambe para a sacanagem (libertinagem = liberdade + sacanagem). O que ela quis dizer é que devemos, como professores, criar um ambiente para os nossos alunos pensarem, criticarem e refletirem sobre a sua educação, profissionalização e realidade social. Entretanto, a heterogeneidade de nossas classes dificulta o atingimento dessa liberdade utópica. Muitos alunos, embriagados em liberdade, acabam por transformá-la em indisciplina.

A partir daí, como professor, questiono-me: devo revogar essa liberdade e tornar as aulas um espaço de exercício de poder e disciplina? Creio piamente que não. Essa não foi a forma com que minha educação foi formada. Ainda creio que, respeitada certas formalidades dos papéis aluno e professor, é possível tornar os alunos parceiros do exercício do ensino. Mas e como agir quando da indisciplina? Bem, há várias formas, mas com certeza, na minha opinião, o confronto direto não é uma delas. O aluno, em especial o do curso superior, apesar de ser um adulto praticamente formado, ainda é uma criança profissionalmente falando.

Falta-lhe muito ainda em organização, disciplina, ética e responsabilidade no campo profissional, apesar de toda sua carga de experiência familiar e social, que lhe caracterizam um cidadão pleno. Dessa forma, o que é visto como "punição", deve ser antes visto como uma oportunidade de reflexão. Nesse caso, cito meu exemplo particular: "tentando" ministrar uma aula que exigia concentração (falava de algoritmos e deadlocks), não conseguia, por nenhum meio, obter a atenção da turma. Ao invés de exaltar-me, gritar, xingar, ficar pedindo silêncio em vão, propus um questionário sobre o conteúdo que eu tentava ministrar.

Não que um questionário não seja uma forma adequada de ensinar ou apoiar o conteúdo teórico, mas era uma forma de oportunizar-lhes alguma reflexão. O questionário, no momento em que foi proposto, era uma atividade chata, enfadonha e aparentemente sem progresso. Por que eu, como aluno, deveria sair da minha casa numa noite fria para ir fazer questionário? Na aula em questão, não deveria mesmo, mas pense no professor que preparou aquela aula, esperava apresentar um conteúdo relevante e não conseguiu. Da mesma forma com que o aluno se sentia frustrado naquele momento, por se sentir "punido" com o questionário, assim também o era o professor por não conseguir dar prosseguimento ao planejamento do seu trabalho.

07 maio 2007

Flamengo até morrer!

Diziam que o Flamengo estava morto. Diziam que o Botafogo era imensamente superior em técnica. Diziam que Ney Franco era um "novato". Diziam que o time não iria pra frente pois não tinha jogadores famosos...

Pois agora EU digo: Flamengo é CAMPEÃO CARIOCA!!! Mais uma vez valeu a raça, a determinação contra todas pragas e tentativas de desestimular a equipe. Mais uma vez o Flamengo provou que não precisa de "galáticos" para vencer o campeonato carioca. Precisa, antes de tudo, de jogadores comprometidos, de um técnico que não esteja tentando fazer do time um trampolim para a Seleção ou para a Europa ou ainda um país árabe.

Mais uma vez o Flamengo mostra que sua equipe é preparada para o jogo coletivo e para a atuação individual, como ficou nítido no segundo gol, de Renato Augusto, partindo de um chute preciso, indefensável, perfeito, planejado. E o que dizer do goleiro Bruno? Qualidade nata superando a experiência. Esse garoto tem futuro, ou melhor, já tem presente. E agora é um herói rubro-negro. Defender dois pênaltis numa final!!!

É muita emoção, é muita alegria. Parece que vi o Flamengo, com uma equipe a princípio desacreditada, voltar aos tempos de glória da década de 80. Claro que é um passado praticamente insuperável, mas isso prova que nada é definitivo, nem mesmo as más diretorias que vêm assolando esse gigante do futebol nacional.

Uma vez flamengo.
Sempre Flamengo
Flamengo sempre eu hei de ser
É meu maior prazer vê-lo brilhar
Seja na terra, seja no mar
Vencer, vencer, vencer
Uma vez flamengo, Flamengo até, morrer

Na regata ele me mata,
Me maltrata, me arrebata
Que emoção no coração
Consagrado no gramado
Sempre amado, o mais cotado
Nos Fla-Flus é o "ai, Jesus"!
Eu teria um desgosto profundo
Se faltasse o Flamengo no mundo

Ele vibra, ele é fibra
Muita libra já pensou
Flamengo até morrer eu sou

25 abril 2007

GUINESS HANDS

Aqueles que me conhecem um pouco mais de perto sabem que eu gosto de cerveja. Não necessariamente da mesma forma com que gostava na época de faculdade ou de mestrado... Até porque, depois de casado, fica mais "incômodo" alcançar os níveis etílicos de outrora. Qual a solução então? Trocar a quantidade por qualidade...
Se antes você bebia com uns amigos alguns garrafões de "sangue de boi" ou "são roque", acaba trocando por uma garrafa de um bom "cabernet sauvignon" com a esposa. Se antes você esvaziava uma caixa (24 garrafas) de cerveja marca "a que estava em promoção no mercado", acaba trocando por umas pequenas garrafas de bohemia weiss, bohemia trapiche, erdinger, guiness, xingu, duvel, entre outras cervejas boas e excelentes, mas mais caras que as pilsen básicas.
Nesse sentido, uma cerveja marcante pela qualidade de seu produto e pela qualidade de propaganda é a Guinness, uma cerveja de origem irlandesa. Ela é uma stout (de alta fermentação) bem escura, com sabor de malte torrado e um sabor inigualável. As campanhas publicitárias da Guinness são de alta qualidade. Uma das que mais me chamou a atenção foi a "Guinnes Hands". Inclusive participei dessa campanha e criei (você também pode...) um pequeno filme, chamado "JILOH 2", em homenagem ao último post.

22 março 2007

Jiló: a pedidos

Como muitos pediram, apesar de somente um ter tido coragem de solicitar publicamente, aqui vão duas imagens do jiló.


21 março 2007

Jiló e a Diversidade Cultural

Algumas vezes a gente é acometido por uma necessidade de usar clichês. E não fujo à regra: O Brasil é um país muito grande. Claro que por si só isso já é uma constatação óbvia, mas quando falamos isso, é preciso pensar no significado.

O Brasil não é um país grande apenas por sua extensão territorial, o que faz dele um país-continente. A grandeza desse país está justamente na diversidade étnica, cultural, geográfica, e, infelizmente, social que possuímos. Tive várias vezes a oportunidade de presenciar isso in loco. O fato de ter viajado algumas poucas vezes e ser de uma família que está representada e espalhada por pelo menos 10 estados, permitiu-me entender um pouco essa diversidade. Tudo bem que seja de uma forma particular, mas orgulho-me disso mesmo assim.

Nessa semana mesmo tive a oportunidade de comprovar isso. Entrei para lecionar mais uma aula (sistemas operacionais, que fique bem claro) e quase fui atropelado por um grupo de alunos perguntando-me: “Professor, como é um jiló?”. Passado o inusitado da pergunta, a explicação para o fato de um professor de computação estar respondendo a isso é que os referidos alunos são do RS e o professor da região sudeste.

O jiló é o fruto do jiloeiro, e muito abundante nos estados de SP, MG e RJ, sendo bastante consumido na culinária do sudeste e do nordeste. No sul é raro, pra não dizer incomum. Bem, mas o que isso tem a ver com diversidade? São pequenas curiosidades como essa que mostram que um grande número de pessoas de cada estado morrerá sem nem imaginar o que se come, bebe, veste ou fala num outro estado. É o mesmo caso de quando vou visitar meus amigos e perguntam: “Como é o tal chimarrão?” ou “É verdade que o pessoal quase só come churrasco?”.

Parece ignorância, no sentido mais pejorativo da palavra, mas não é. Antes um desconhecimento, uma vontade saber o que existe além. Infelizmente nem todos têm a oportunidade de viajar ou desbravar o país. Acredito que isso pode ser corrigido com uma educação menos regionalizada. É necessária uma educação que permita aos nossos compatriotas vislumbrar o que existe além do quintal de suas casas, com todo respeito.

Assim, o nordestino vai saber o que é butiá, mondongo, bergamota e carreteiro; e o sulista vai conhecer jiló, graviola, jaca e buchada...

01 março 2007

O fim das férias: prólogo de um chato

Último dia de férias... Você volta ao convívio das pessoas comuns (férias te fazem sentir um deus, só observando os meros mortais trabalhando) e retoma os hábitos cotidianos, na esperança vã de que o seu corpo se adapte novamente ao trabalho. Tarefa árdua e quase impossível. Deixo até aqui uma sugestão. O retorno ao trabalho deveria ser mais gradual, igual criança nova em escola: no primeiro dia trabalha 2 horas; no segundo dia, 4 horas; no terceiro dia, 6 horas; e, enfim, no quarto dia, as 8 horas clássicas. Mas claro, tudo isso sem esquecer que o retorno deve ser sempre numa quarta-feira, pra semana ser mais curta e não desgastar o cidadão. Depois disso, na próxima segunda, gás total e o trabalhador totalmente readaptado.

Mas voltando ao último dia de férias, eu pergunto tem coisa pior que, no meio das suas férias, o cara para o seu almoço, no meio do shopping (você de bermuda e boné, o uniforme oficial de férias), e perguntar qualquer coisa mística e esotérica (pois você jamais poderia saber, estando em férias) sobre TRABALHO? Será que não dá pra ver na cara feliz e relaxada do sujeito, estampado, em letras garrafais: "ESTOU EM FÉRIAS". Esse é o exemplo clássico do CHATO. E faço aqui a publicação de uma lista que permitirá a qualquer um reconhecer (ou reconhecer-SE) um chato.

OS MANDAMENTOS DO CHATO

01- Ser ou não ser chato, eis a questão.
02- A Teimosia é a força de vontade do chato.
03- O chato nunca perde o seu tempo. Perde sempre o tempo dos outros.
04- Chato só ronca quando não dorme sozinho.
05- Geralmente os chatos começam a falar dizendo: "Fica chato dizer isso, mas..."
06- Justiça seja feita: todo chato tem cara de chato.
07- Existem várias maneiras de ser chato, mas o chato escolhe sempre a pior.
08- Um chato não aprende a ser chato, ele nasce chato e nunca deixa de ser.
09- Se um chato se cala de repente é porque morreu.
10- Uma pessoa brilhante pode ser um chato, mas um chato nunca pode ser brilhante.
11- Alguém sempre é chato de alguém.
12- Todo mundo tem seu dia de chato, mas o chato é todo dia.
13- Todo chato cutuca.
14- O chato é uma pessoa que, quando você pergunta "Como tem passado?", ele conta.
15- O chato quando está com tosse, em ves de ir ao médico, vai ao teatro ou ao cinema.
16- Chato é um sujeito que fica mais tempo com você do que você com ele.
17- Chato é aquele sujeito que faz você perder a fila do elevador, que leva meia hora, pra contar uma piada que leva hora e meia.
18- Chato é o indivíduo que diz pra você do outro lado da rua: "Vem cá!", quando a distância entre vocês é absolutamente a mesma.
19- Chato é aquele cara que só fuma pra filar cigarro dos outros.
20- Chato só deixa de fumar pra ficar chateando quem fuma.
21- Chato é o sujeito que vai com você pela rua e pára de 2 em 2 metros porque não sabe conversar andando.
22- Chato é aquele indivíduo que só vai ao cinema assistir a filme de mistério pra poder contar o desfecho para os outros.
23- Quando o chato chega em casa, a família dele finge que está dormindo.
24- Chato não tira férias, só muda temporariamente de endereço.

13 janeiro 2007

Paraninfo: Discurso

Retornando às atividades do blog, começo o ano com um grande orgulho. Ontem, 12 de janeiro, fui homenageado e escolhido para ser paraninfo da turma de formandos de Informática e Ciência da Computação. Durante o ato solene, proferi o discurso que transcrevo abaixo, na íntegra.

Sempre que vejo entrar uma turma de formandos de Computação, relembro-me da emoção que experimentei quando, na minha querida Juiz de Fora, ocupei um lugar de honra semelhante aos que meus afilhados tomam para si agora. Afirmo de coração: é incalculável e indescritível esta sensação, o amor que sinto por esta profissão. Complexa, intricada, às vezes ingrata e mal interpretada; mas, por outro lado, desafiadora, apaixonante, humana e inspiradora. A razão de ser da Ciência da Computação é o fato de ser feita por e para pessoas.

No ano em que o núcleo dessa turma ingressou na universidade, faleceu um dos mais importantes nomes da Computação, Edsger Dijkstra. Sabiamente definiu: “A Computação estuda tanto os computadores, quanto a Astronomia os telescópios, a Biologia os microscópios e a Química, os tubos de ensaio. O computador é uma mera ferramenta, e não aprendemos a fazer funcionar máquinas, estudamos e questionamos os problemas dos usuários e da sociedade, propondo mudanças para melhorar seu bem-estar. Mudança é a palavra-chave para estes novos profissionais.

Vivenciaram, nos últimos cinco anos, um mundo em velozes e sérias transformações, e foram também agentes deste processo. 2002 está marcado na História pela intensificação da guerra contra o terrorismo e o agravamento da crise no Oriente Médio. Mudamos nossa percepção de segurança e paz. Também em 2002, a ordem econômica mundial começou a alterar-se com a criação do euro. Surgia uma moeda efetivamente mais forte que o dólar. Naquele ano foi reconhecido o verdadeiro inventor do telefone, o italiano Antonio Meucci. No Brasil, o panorama político transformou-se, com o registro de um processo eleitoral histórico e sem precedentes.

Em 2002, ingressaram num curso totalmente renovado: currículo novo, nova experiência didática, posse de um novo coordenador e uma nova direção, a qual passou a traçar os caminhos da universidade que aprendemos a estimar. Esse curso é agora mais moderno e ágil frente à dinâmica do mercado. Os dados que marcam sua turma refletem como assimilaram as transformações e participaram ativamente delas.

Entre eles temos 4 dos fundadores do diretório acadêmico: Cleverson, Elessandro, Mateus e Vagner. Nesta iniciativa demonstraram engajamento e consciência estudantil, com o apoio de todos os seus colegas. Os novos bacharéis estabeleceram um recorde: mais de 60% de seus trabalhos de conclusão qualificados como ótimos ou excelentes. Aprendemos que se uma idéia nãocerto, ainda tem valor, pois a ciência é feita de erros e acertos. Registramos outro fato inédito: dois formandos, Jorge e Maicon, aprovados no mestrado em universidades federais.

Contudo, sem desmerecer as conquistas acadêmicas, as maiores mudanças são sentidas na vida cotidiana. A maioria ingressou ainda adolescente, e acompanhamos seu amadurecimento pessoal e profissional. Neste tempo, alguns constituíram novas famílias e outros enfrentaram dramas pessoais, situações de vida ou morte, problemas financeiras, e encontraram pessoas querendo fazê-los desistir de seus sonhos e ideais.

Tais dificuldades não os impediram de nesta noite poder orgulhar-se do grau alcançado. Durante os períodos difíceis, muitos nos procuraram pra conversar, não como professores, mas como colegas mais experientes, parte de uma família. Passamos até por tempos de animosidade, em que pensamentos menos nobres nos consumiram. Superamos tudo e somos mais que colegas, estabelecendo com muitos uma relação de profunda amizade. Hoje agradeço-os publicamente.

Vocês reafirmaram minha certeza de que ser professor é gratificante e podemos, através da computação, melhorar a nossa sociedade, combater injustiças e construir um futuro mais digno. Como professores procuramos, além de ensinar, fazer diferença em sua vida profissional, como aponta o provérbio chinês: Não corrigir falhas é o mesmo que cometer novos erros.

Lembro que o ciclo de transformações que enfrentarão, não está nem perto de seu término. Mas essa é a essência da vida humana. Tomo emprestadas as palavras do saudoso pacifista Mahatma Gandhi: Você deve ser a mudança que deseja ver no mundo. Nenhuma melhoria afeta efetivamente o mundo se não for antes sentida em nossos corações. Desta forma, Cleverson, Cristiano, Dione, Doriane, Douglas, Elessandro, Jordano, Jorge, Leandro, Leonardo Laureano, Leonardo Silva, Leonardo Parise, Luis, Maicon, Mateus, Mauro, Rafael, Roseli, Tassiana, Taíse, Vagner e Vitor, creiam firmemente que vocês podem fazer diferença, pois...

Suas crenças tornam-se seus pensamentos.
Seus pensamentos tornam-se suas palavras.
Suas palavras tornam-se suas ações.
Suas ações tornam-se seus hábitos.
Seus hábitos tornam-se seus valores.
Seus valores tornam-se...
o
seu DESTINO
.” (Mahatma Gandhi)

21 outubro 2006

SBAC2006 - Ouro Preto: Parte 4 - Já Esperando por Gramado

O terceiro e o quarto último dia do evento foram bastante proveitosos. Foi dada continuidade às sessões técnicas. Uma das atividades mais interessantes a que pudemos assistir foi a Maratona de Programação Paralela, na qual estudantes de diversas universidade eram desafiados a paralelizar alguns problemas clássicos em computação. O objetivo era verificar quem conseguia obter o maior speedup.
Ainda houve duas palestras muito interessantes, as quais comentarei com mais calma no meu retorno. O Prof. Kazuaki Murakami, da Universidade de Kyushu, falou sobre o projeto PetaScale, cujo objetivo é construir um computador com desempenho de dezenas de petaflops. já a Profa. Margaret Martonosi, da Universidade de Princeton, falou sobre o Projeto Zebranet, no qual uma rede de sensores móveis são utilizados para rastrear os movimentos de zebras num parque nacional no Quênia.
Ao retornar pra casa, vou comentar mais detalhadamente sobre o evento... Estar fora de seu computador e pagando internet é brabo!!! Um grande abraço.

19 outubro 2006

SBAC2006 - Ouro Preto: Parte 3 - O Simpósio Começa em Grande Estilo

Ok, ok, eu tenho fotos do evento, mas não estou conseguindo postar porque não trouxe o notebook ("Travel light, travel fast"). Prometo assim que puder colocarei aqui as fotos. Por enquanto, vamos aos fatos.

De primeira, quero dar um conselho, em especial aos meus alunos: estude inglês e perca a vergonha de falar numa língua estrangeira. Falar inglês não é mais um extra, é fundamental. É interessante ver, numa cidade como Outro Preto, no interior de Minas Gerais, essa quantidade impressionante de turistas estrangeiros. Além disso, num simpósio como o SBAC, apresentar em inglês é oibrigatório e já pude ver alguns mestrandos, doutorandos e até professores passando um dobrado.

Nesta quarta-feira, o evento foi marcado pelo início das sessões técnicas, nas quais foi possível entrar em contato com trabalhos de pesquisa de alta qualidade, nas mais diversas áreas. As sessões técnicas versaram sobre: Aplicações de Alto Desempenho, Computação em Grids e Clusters e Microarquitetura de Processadores.

O ponto alto do dia foi a palestra do Prof. Joel Saltz, da Ohio State University, quando apresentou a caGrid, uma iniciativa para o gerenciamento, pesquisa e convergência de estruturas maciças de armazenamento de dados. Esse projeto pretende congregar, através de um grid, dados de imagens médicas e pesquisas em bioquímica, medicina e biofísica, a fim de aprimorar o fluxo de informações de pesquisas sobre o cancêr em várias universidades estadunidenses.

O dia encerrou-se com um excelente coquetel de recepção, com comida típica mineira e bebidas da terra. Foram servidos torresmo, mandioca frita, linguiça caipira, iscas de lombo, além de diversos tipos de queijos e frios, típicos da terrinha. Para degustação havia cachaças de Salinas, inclusive a famosa, que também leva o nome da cidade. Um grupo de chorinho e samba animou a noite.

18 outubro 2006

SBAC2006 - Ouro Preto: Parte 2 - As primeiras impressões

O primeiro dia de evento foi tranqüilo. Os dias mais puxados serão quarta e quinta. Abrindo os trabalhos do simpósio houve três eventos paralelos: o WEAC (Workshop de Educação em Arquitetura de Computadores), o PARGOV (Workshop sobre Clusters e Grids Aplicados a Governança Eletrônica), o WVAD (Workshop em Visualização de Alto Desempenho) e o HPCLIFE (Workshop on High Performance Computing in the Life Sciences).

Além desses eventos, houve ainda um tutorial muito interessante com o Prof. Jean-Luc Gaudiot, intitulada "The Walls of Computer Design", na qual ele tratou de relacionar e discutir os principais desafios (barreiras, "walls") no projeto de computadores. Entre eles, citou com bastante ênfase o uso de Chip Multiprocessors (CMP, processadores multicore) e de Simultaneous MultiThreading (SMT). A mensagem principal é de que definitivamente é necessário investir em paralelismo de instruções e threads, ao invés de buscar alternativas físicas para aumentar a freqüência de processadores.

Encerrando o dia, foram apresentados dois minicursos: "WebServices para Computação de Alto Desempenho", apresentado pelo Prof. Alexandre Caríssimi (UFRGS) e "Arquitetura de Processadores com Conjunto de Instrução Reconfigurável", pelo Prof. Ivan Saraiva (UFRN).

Para terminar bem o dia em Ouro Preto, chuva TORRENCIAL. Muito aguaceiro, parecia que o céu ia desabar sobre a cidade... A manhã de quarta-feira continua com chuva...

17 outubro 2006

SBAC2006 - Ouro Preto: Parte 1 - Histórias de ônibus

Bem, essa semana estou participando do SBAC (Simpósio Brasileiro de Arquitetura de Computadores) que está sendo realizado em Ouro Preto. Antes de vir ao evento estava em Juiz de Fora, em visita familiar. Começa aí a aventura...

Quem já viajou entre cidades do interior de Minas, sabe como a coisa funciona: é viajar de "cata-jeca" e fazer baldeação. Comigo não foi diferente. A opção mais simples de transporte por ônibus era via Conselheiro Lafaiete, com espera de 1 hora entre um ônibus e outro. Contudo o mais marcante é o "cata-jeca" (o mesmo que "ônibus pinga-pinga" no sul), uma linha que vinha parando pra qualquer moita que se mexesse com o vento na estrada. Esse horário em que eu fui pára em Santos Dumont, Barbacena, Ressaquinha e Carandaí, antes de Lafaiete; depois para em Congonha, antes do final em Beagá (Belzonte ou Belo Horizonte).

Fora as paradas, o trajeto foi tranquilo, saindo de JF às 07:00 e chegando em Ouro Preto às 12:30. O lance depois foi encontrar a pousada e o Centro de Convenções. Ladeira, ladeira, ladeira... Daquelas que nem cabrito de kichute sobe tranqüilo. O que mais desespera é quando você vê só descida: a volta será SÓ SUBIDA!

Mas Ouro Preto continua linda e acolhedora, com aquele ar de que parou no tempo... Outra hora eu falo mais sobre o congresso e algumas histórias do ônibus. Claro! Jeca (que nem eu) ouvindo jeca, tem de ter causo.

04 outubro 2006

Longe do Brasil

No final do ano de 1999, passei seis meses num estágio-sanduíche nos Estados Unidos. Mais exatamente estive na Purdue University, em West Lafayette, estado de Indiana. Foi uma experiência ímpar, na qual tive inclusive a alegria de conhecer a cidade de Chicago, mas também fez-me ver o quanto a grande "Terra Brasilis" é maravilhosa. Saudade, muita saudade do Brasil, dos amigos, da família, do pão de queijo, da pamonha, de tudo um pouco...

Naqueles dias, em meio ao frio (inverno de -15 graus!) havia dias em que só me restava escrever, escrever e escrever. Cartas, artigos, apostilas e, sobretudo, poesias. Daqueles dias, essa poesia abaixo foi um retrato do que via e sentia. Espero que gostem.

TODOS OS MARES SÃO IGUAIS?

Navio no oceano
Porto único
Tantos mares
Tantas venturas
Todavia há de retornar

Tua âncora é
Tão longa quanto mil milhas
Cada uma mede outras mil
Todavia há de retornar

Cores estranhas
Sons estranhos
Sonhos estranhos
Deuses bizarros
Sua cor, seu som, seus sonhos, seu Deus
Não são melhores
Não são maiores
São seus...
E ainda há de retornar

Pensa que tudo mudou
Pensa que tudo está igual
Nada mudou
Nem permanece igual
E é ainda o mesmo menino
O mesmo homem
Com filosofias tão novas
E anseia retornar

03 outubro 2006

O Que É Ser Mineiro?

Os meus amigos mais próximos sabem que, apesar de ter nascido na incrível e adorável (ao menos para mim) cidade de São Paulo, amo Minas Gerais (ou pelo menos quase todo o estado). Mais especialmente, amo a cidade de Juiz de Fora. Mas o que poucos sabem é o que JF ("jotaéfe", é assim que os nativos e amantes dessa cidade a chamam) significa pra mim.

Antes de qualquer coisa, em JF descobri minha profissão, minha paixão pela poesia, a vida adulta, os grandes amigos que carrego até hoje no coração. Querem mais detalhes? Então essa é a minha lista pessoal, contendo os significados de "Ser um Jovem Mineiro (de Juiz de Fora)":

- Estudar no CTU (Colégio Técnico Universitário).
- Ter milhares de histórias pra contar do tempo de CTU.
- Ter estudado Informática Industrial.
- Ser da 3a turma formada na Informática Industrial
- Ter sido professor do CTU.
- Gritar, pular e torcer nos intercursos e interclasses do CTU.
- Criar dezenas de gritos de guerra pra torcida do seu curso.
- Ter o prazer de ver a minha turma bater a, até então, imbatível turma de Metalurgia no vôlei.
- Namorar depois da aula (ou cabular aula) sentado sob as árvores da UFJF (onde ficava o CTU)
- Passar mal com a comida do bandejão do R.U.
- Ter o (des)prazer de andar de "pretão" (circular da universidade), quando ele ainda existia.
- Participar das rixas com a Faculdade de Engenharia.

- Passear no calcadão da Rua Halfeld (foto acima) no sábado de manhã.

- Marcar com um encontro com alguém no relógio (foto acima) do Parque Halfeld (e usar o relógio como referência máxima pra atrasos ou desculpas)
- Comer um sanduíche do Mary Milk, no final da balada.
- Ter dançado nos bailes da danceteria Dream´s.
- Ter jogado boliche na Murilândia.
- Ter tentado de tudo pra entrar no Vivabella (mas não te deixavam, porque era "de menor")
- Ter economizado dinheiro para entra na Squadro (e não poder entrar porque era "de menor" e não tinha "pai rico")

- Passar o domingo de tarde no Museu Mariano Procópio.
- Fazer o programa de índio no sábado com a turma e ir de trem até Matias Barbosa (e voltar correndo, porque não tem nada pra fazer lá).
- Ir na Festa das Nações.
- Ir na Exposição Agropecuária e Industrial da cidade.
- Levar a namorada até o Manoel Honório Procópio a pé porque nenhum dos dois tinha dinheiro pro ônibus.
- Andar a pé de Santa Terezinha até São Mateus na hora do almoço, porque não tinha dinheiro pro ônibus.
- Pedir carona pra ir pra ou vir da Universidade porque não tinha dinheiro pro ônibus.
- Andar a pé pra qualquer lugar porque NUNCA tinha dinheiro pro ônibus.
- Fazer um passeio de bicicleta de São Mateus a Benfica, mas por puro prazer de passear (já devem perguntar: "Porque não ia de bicicleta, se não tinha dinheiro pro ônibus?)
- Comer um cigarrete de queijo e presunto com um suco de açaí e guaraná no Marechal Center.
- Comer um docinho da Fábrica de Doces Brasil
- Comer uma picanha na pedra, com pãozinho de alho e vinagrete, acompanhada por um delicioso chopp na Churrasqueira de São Mateus.
- Pegar filme na Imagem Video Show.
- Ir na missa das 20:00 em São Mateus pra ver as meninas indo pra balada depois.
- Saber o nome de todas as transversais (lado esquerdo e direito) da Av. Rio Branco desde a Independência até a Getúlio.
- Comer um pastel na pastelaria Rolante Mexicana.
- Comer um torresmo no Bar do Bigode.
- Ter conhecido bares históricos como o "Balcão", "Meninos Geraes", "Batata Belga", "Milk Shake", "Gilbertinho´s", "Garfo e Faca", "Muhareb", "Em Kantu´s", "Piriá", "Chez Moi", entre tantos outros já extintos.
- Tomar uma coca-cola num boteco do centro da cidade.
- Ter assistido um filme no Veneza ou no Excelsior (no tempo em que os cinemas cabiam mais do que três casais e meio)
- subir o morro da Halfeld para estudar no CES (Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora).
- Estudar Processamento de Dados no CES (porque era considerado curso de homem), mas adorar as meninas da Psicologia (que era considerado curso de mulher).
- Ter feito estágio na Siderúrgica Mendes Júnior (um dos melhores na época), que depois virou Mendes Júnior Siderurgia e hoje é Parte da Belgo Mineira.
- Não conseguir esconder de todo mundo que você estava fazendo estágio na Mendes Júnior, pois inevitavelemente engordava uns 3 quilos com a ótima comida do refeitório da fábrica.
- Ir visitar um amigo e morrer de tanto comer pão de queijo, broa de milho, bolo de fubá, biscoitinho de nata, doce de leite com queijo minas, romeu e julieta... Tudo isso porque é uma tremenda desfeita recusar comida!!!!
- Conhecer a mãe de todos os seus amigos pelo primeiro nome, chamá-las de tia e ter respeito igual ao que você tem pela sua mãe. Afinal, elas são mães-interinas enquanto você estiver dentro da casa delas.
- Reunir no Largo do Alto dos Passos, em frente ao McDonald´s pra comemorar a vitória da Seleção na Copa do Mundo (1994 foi fantástico!!!)
- Ter algum grande amigo ou amiga descendente de libaneses e adorar ir na casa dele no dia de festa, porque a comida é boa demais da conta!!!
- Namorar na pracinha de São Mateus tomando sorvete.
- Tentar pegar um avião pra ir a Juiz de Fora e sempre pousar no Rio de Janeiro, porque o aeroporto está quase sempre interditado (morro, morro, morro, tempo fechado... quem decidiu o local daquele aeroporto?)

- Adorar a vista da cidade do alto do morro do Cristo.
- torcer pra um time do Rio (Flamengo até morrer!), passar Carnaval em Piúma (ES) e fazer compras de inverno em Petrópolis (RJ).

Olha, essa lista poderia ser muito maior, mas a gente tem de saber quando parar, ou a saudade acaba matando a gente...

02 outubro 2006

Carioquês - Parte 2

Aqui vai a segunda e última parte do "carioquês". Andaram me perguntando se a maior parte dessas palavras não é de uso nacional. Eu concordei que sim, mas há uma explicação que precisa ser posta.

Atualmente, no país, o maior canal de mídia e comunicação é a Rede Globo. Sem nenhuma preocupação com sua projeção nacional, a Globo acaba por massificar o falar e o conjunto de gírias brasileiras, por expor de forma tão incisiva a sociedade carioca em suas novelas, mini-séries e programas humorísticos. Essa é a razão pela qual achamos que "irado", "mano" e "véio" são de uso nacional. Essa e muitas outras gírias foram criadas no Rio de Janeiro e exportadas para outras regiões brasileiras.

Sem nenhum demérito para os cariocas ou para outras culturas em nosso país, acaba havendo assim, uma massificação. Por isso é que vocabulários como o dos mineiros, nordestinos ou gaúchos tornam-se tão peculiares e distintivos.

Não estendendo demais a introdução, trago aqui mais algumas expressões de uso carioca.

Vocabulário (continuação)

maluco - s.m. 1. cara, sujeito, indivíduo, em geral sem flexão de número, existindo somente no singular ("Não conheço aquele maluco", "Tava com uns maluco da faculdade").

mané - s.m. 1. otário, vacilão, prego, sujeito que pisa na bola.

maneiro (manero) - adj. 1. show de bola, muito legal. Também muito usado no superlativo: maneiríssimo

maraca - nenhum carioca vai ao "Estádio do Maracanã", eles vão ao "maraca"

média - s.f. 1. apenas uma xícara de café com leite, também chamado em outros estados de "pingado".

meRRRmão - s.m. 1. diz-se do nativo do Rio de Janeiro do sexo masculino, formado por aglutinação da expressão "Meu Irmão"

mó - adv. 1. usado como advérbio de intensidade, substituindo, em quase tudo, a palavra muito, é formada por redução da palavra "maior" ("mó mané", "mó otário", "mó legal", "mó manero"="maneiríssimo").

mulé - s.f. 1. usado paras os meRRRmão do sexo feminino, em geral a namorada de algum meRRRmão chegado.

parada - s.f. 1. palavra de uso genérico, de uso muito similar ao "trem" do vocabulário mineirês ("O professor ensinou uma parada bem maneira em Java.", "Assisti uma parada legal no cinema", "Esqueci uma parada em casa.").

paraíba - s.m. 1. qualquer indivíduo nascido ou residente acima do paralelo que passa por Copacabana, alguns cariocas têm um certo preconceito contra nordestinos e generalizam tudo como "paraíba". 2. Em geral usado por quem faz besteira no trânsito ("Não tá vendo que é contramão, paraíba?")

podrão - s.m. 1. típico prato da madrugada carioca. Em geral um sanduíche comprado em barraquinhas "suspeitas" (ao menos para a vigilância sanitária, pois em geral os donos são "peixe" dos meRRRmão). Esse tipo de cachorro-guente leva de tudo que você possa imaginar. Se você achou que não é possível colocar tudo, pense em algo e colocar, afinal o podrão é seu e o nome característico diz tudo, não?

porra - é importante frisar que esse vocábulo, para um carioca, não tem conotação chula, apesar de conhecerem a etimologia. 1. usada como interjeição de dor, raiva, angústia, sofrimento, morte iminente, traição, carestia, ou seja, o que você quiser ("Porra!"). 3. sinônimo que, em geral substitui "parada", mas com ar de desaprovação ou estranheza.

porrada - diferente de outros estados, não significa briga ou pancadaria, sendo usado como um coletivo genérico ("O professor deu uma porrada de zeros!", "Tinha uma porrada de gente na fila", "matilha"="porrada de câes", "enxame"="porrada de abelhas")

posto - jamais pergunte onde fica o posto mais próximo se você estiver no Rio de Janeiro, provavelmente vão ensinar-lhe como chegar a Ipanema, Leblon, Copacabana ou qualquer outra praia. No Rio de Janeiro, "posto" é como chamam os "postos de salva-vidas", e que não numerados (todo carioca sabe a localização e o número de todos os postos). Se precisar de um "posto de gasolina", seja mais específico.

prego - s.m. 1. o mesmo que mané

puRRRque - o mesmo que "porque", "por que", "porquê" e "por quê".

puto - s.m. 1. o mesmo que mané. Um gaúcho irá estranhar o uso da palavra, pois no Rio Grande do Sul é sinônimo para "viado", "bicha", "gay".

queimá a laRRRgada - sair mais cedo, em geral para almoçar.

quentinha - o mesmo que "vianda" no Rio Grande do Sul e "marmitex" em São Paulo.

rapá - rapaz. Usado para se referir à quem se fala, mas que normalmente não é um meRRRmão, é desconhecido. ("E aê rapá?")

sacode - essa sim significa briga ou pancadaria, mas em geral é definitiva. Quem toma um sacode de um meRRRmão aprende a deixar de ser mané.

sangue - redução de "sangue-bom", uma pessoa "mó" legal, gente boa e agradável, um meRRRmão maneiríssimo. Costuma-se usar também a sigla "CB" (isso mesmo: "cê-bê")

vaza - o mesmo que "vai embora daqui" ou "some da minha frente já!"

X9 - o mesmo que alcagüete, ou seja, delator.

01 outubro 2006

Carioquês - Parte 1

Lembrando que tenho alguns alunos (Daniel, João Paulo e Saulo) que irão viajar para o Rio de Janeiro em novembro próximo, e continuando a seqüência de posts de "enriquecimento cultural", decidi trazer algum auxílio a eles ou a qualquer indivíduo viajando pela "Cidade Maravilhosa". O post de hoje é a primeira parte de um pequeno dicionário básico de "carioquês", dialeto do português muito empregada na cidade do Rio de Janeiro e copiada por todo o estado fluminense e adjacências (jizdifora e spritusantu).

Um pouco da fonética
É importante mencionar que o "R" em carioquês tem uma pronúncia que pode ser denominada de "R-cedilha", pois é tão forçado na garganta (gutural, como diriam os fonéticos) que ninguém não nascido no estado do Rio de Janeiro tem capacidade fonoaudiológica para interpretar adequadamente. Um caderno convencional seria algo como cadeRRRno.

Aspecto notável também possui a pronúncia do "S" que aparece no final de uma sílaba ("S" seguido de vogal não oferece diferenças). Esse fonema é também um "S-cedilha", funcionando como um "XXX" (triplo X). Apenas para citar como exemplo, crianças cariocas ao brincar de pique-eXXXconde, conta "um, doiXXX, treXXX".

Não há na literatura nenhum registro documentado de um encontro, seguindo de comunicação oral, entre um carioca e um colono típico gaúcho (principalmente de ascendência italiana). Quem já foi a Marau, a terra do Aço, sabe o que estou dizendo (bem, eu aço que sim, mas quem sou eu pra dizer que aço que nom?).

Vocabulário
Abaixo são listados alguns exemplos de palavras e expressões comumente empregadas em solo carioca (ou veículada em novelas da Rede Globo):

- 1. Adv. define um lugar qualquer, que pode ser desde o assento de uma cadeira ("Senta aê, mané") ou até um bairro (ou favela) inteiro ("Os cana tão por aê na área) 2. Usado como vocativo pode também ser usado para chamar atenção de um merrrmão ou maluco qualquer ("Aê, meRRRmão, coé a parada?"). Obs: Dependendo da tribo que o utilizar, pode variar até para um formato de interjeição ou para uma boiolice qualquer como "aiiiiih" ou "aeeeeh".

arraXXXtão - s.m. em qualquer outro estado do país, é um tradicional tipo de pesca com rede, em geral ilegal; no carioquês, é outro meio dos meRRRmão ganharem a vida. Essa atividade profissional está tão difundida que já está sendo aberta franquias em outros países, como Portugal (vide o arrastão na Praia de Carcavelos, foto)












avenida brasil - principal via de acesso ao RJ, usada como ponto comercial, rota de entrega, local de assaltos e praça de guerra dos meRRRmão.

aXXXfalto - s.m. qualquer lugar de moradia de um meRRRmão que não seja no morro.

bolado - adj. condição de incompreensão momentânea ou preocupação em qualquer nível ("Aê, meRRRmão, tô bolado, acho que minha mulé tá me furando o olho")

bonde - s.m. 1. ônibus (ou até inventarem outro meio de transporte coletivo que seja possível trapacear). 2. Galera, turma.
("O bonde do pampa coders ficou em primeiro lugar.").

cabaço(ão) - s.m. 1. sujeito trapalhão, em geral, iniciante em algum assunto e inexperiente (virgem) em algum assunto ("Esse mané é mó cabação!")

carái - interj. 1. o mesmo que a expressão "caralho", mas sem qualquer conotação chula, indicando uma coisa legal, que impressiona, causa admiração. ("Carái, o fla ganhou a copa do brasil!!!") 2. Em uso com a preposição "pa-" (originada da contração de "pra", que por sua vez vem de "para"), significa um advérbio de intensidade ("Em Erechim tava frio pacarái.").

coé - aglutinação da expressão "qual é" ("Coé, meRRRmão?"), em geral indica desaprovação ou exaltação de ânimo.

conto - unidade monetária universal, sem plural ("A parada custa 10 conto"). O mesmo que "pila" no Rio Grande do Sul.

elevado - avenida de grande porte construída em pilares sobre as favelas (pra não dizer que as favelas foram construídas sob os elevados), hoje usada pra assaltos e engarrafamentos aéreos. O mesmo que viaduto em qualquer outro estado do país.

filé - adj. 1. Mulher muito atraente, com um "xeipe" (do inglês "shape") invejável. Etimologicamente deriva de "filé-mingnon", uma carne muito boa e macia, considerada "a melhor parte" do bovino.

furaoi - adj. (derivado de "fura-olho") 1. diz-se do indivíduo que, incapaz de conseguir realizar o coito sem pagamento, e por méritos próprios, vive de impedir o sucesso alheio. 2. em versão moderna diz-se de qualquer traidor.

íhóocaraaê - expressão que demonstra intensa desaprovação, uma maneira de dizer que um meRRRmão está fazendo besteira.

joelho - salgadinho feito com massa, presunto e queijo que os meRRRmão comem por aê. (vide foto abaixo e receitas: 1, 2)

28 setembro 2006

Rancho ou rancho?

Estava conversando com a minha esposa hoje e ela me lembrou de uma micro-história (daquelas do post anterior), a qual é a mais engraçada pra mim (a graça de um não garante a graça de outro, ok? Essa também tem a ver com as palavras que no Rio Grande do Sul são diferentes de outros lugares.

Em Porto Alegre, vendo televisão (recém comprada em promoção!), assistia aos intervalos comerciais. Uma famosa rede de supermercados anunciava "Faça qualquer compra no valor de R$ 30,00 ou mais e concorra a um rancho". Poxa, na hora eu pensei: "Que promoção fantástica!!! Vou comprar só nesse mercado pra aumentar as minhas chances!".

No dia seguinte, conversando uma amiga, a Joana, falei pra ela da promoção. Ela disse que não era grande coisa, até porque às vezes, alguns preços eram mais altos que o da concorrência. Eu falei que, mesmo assim, era uma "puta" (gíria paulista, não tem sentido chulo, apenas quer dizer "Muito", "demais", "em abundância") promoção. Afinal, o cara que ganhasse ia faturar um rancho!

A Joana começou a achar estranha a minha empolgação, e acreditou que estava havendo uma falha de comunicação entre o supermercado e eu. Perguntou pra mim o que eu esperava de um "rancho". Animadíssimo eu logo disse: "Um lugar legal, no interior, um pouco maior que um sítio, etc, etc, etc". Ela então finalizou: "Pára de sonhar com suas vaquinhas e um pomar então, porque aqui no Rio Grande do Sul, um rancho é só uma "compra do mês"...

27 setembro 2006

Um Sudestino Perdido no Rio Grande do Sul

Bem, motivado pela recente curiosidade de alguns alunos meus sobre essas diferenças culturais pelo Brasil, vou contar aqui algumas "micro-histórias" de quando vim morar em Porto Alegre e depois em Erechim. Lembro que não sou gaúcho, sou um "sudestino", refiro-me assim, com esse neologismo, pois morei, até os meus 23 anos de idade, em 4 diferentes cidades da Região Sudeste do Brasil: nasci em São Paulo, morei no Rio de Janeiro (na Ilha do Governador e em Jacarepaguá, o que significa dizer quase em cidades distintas), voltei para São Paulo, fui para Juiz de Fora e depois para Campinas (SP). Sou um sudestino.

Micro-história 1: Usando uma nova moeda.

Aniversário de Porto Alegre, festa na Redenção, há 3 semanas morando na cidade... Chega um vendedor de cerveja. Garganta seca, preciso refrescar-me. Pergunto o preço. O rapaz grita: "É dois PILA". Eu retorno "E quanto dá isso em reais?".

Micro-história 2: A voraz devoradora escravagista

Roda de amigos, uma colega acabava de voltar de Rio Grande onde morava a família dela. Parece que havia sido um ótimo final de semana, e ela contava de uma festa de aniversário de criança a qual havia ido. Ela disse: "A mesa de doces tava linda, mas nada me agradava, então fiquei ali só conversando. Na hora que chegaram os NEGRINHOS, não resisti, me atraquei e comi uns 12".
Tive um arrepio por não ter entendido nada. Ou ela era uma antropófaga com paladar selecionada para pequenos afro-descendentes; ou, POR FAVOR, aquilo era o nome de alguma iguaria... Graças a Deus, era só um inofensivo brigadeiro.

Micro-história 3: Tentando não ofender a guria

Recém-chegado, louco para conhecer as "nativas", comecei a "trovar" (xavecar, paquerar, barulhar) uma guria. Tentei ser gentil e dizer a ela "Você não é de Porto Alegre, não é? Não parece.". A minha humilde intenção era de dizer que ela não parecia com um grande número de gurias "da capital" que eu havia conhecido, muito arrogantes e metidas. Rapidamente ela disse: "Tu tá me achando com cara de COLONA?". Sem saber o que era o tal de "colona", falei que não, e expliquei rapidamente. Bem mais tarde vim a entender que, naquele contexto, "colona" seria o mesmo que "da roça", "caipira", "jeca"...

Micro-história 4: A difícil tarefa de ser professor

Primeira aula substituindo um antigo professor, no meio do semestre. Começo a conversar com a turma e tentar explicar como seria o meu método de ensino, o que iríamos usar como bibliografia, como seriam as avaliações. Pergunto se há alguma dúvida e um rapaz levanta o braço e questiona "O senhor vai usar o mesmo POLÍGRAFO do outro professor?". Colocado contra a parede por mais uma nova palavra, respondi "Rapaz, se eu soubesse o que é polígrafo, até poderia te responder, mas supondo que isso seja parte do material do outro professor, acredito que não usarei nada do material antigo. Mas o que vem a ser esse polígrafo? Você pode me mostrar?". O rapaz gentilmente mostra e eu digo "Ah, você queria dizer a APOSTILA?".

Fora essas micro-histórias, poderia citar muitas outras, é muito complicado comunicar-se também no Rio Grande do Sul. Existe um vocabulário muito específico, expressões muito particulares. Em alguns momentos chegam a ser uma nova língua. Palavras que para um gaúcho são comuns, são quase "estrangeirismos" para o restante do Brasil. Apenas para citar alguns exemplos, veja a lista abaixo:

acoar - latir (cachorro)
atacar - significa dizer que um guarda parou alguém, por exemplo numa blitz (O guarda me atacou - O quarda me parou)
auto - o mesmo que carro, automóvel (mais usado por pessoas de mais idade)
bidê - mesinha de cabeceira, criado-mudo (no resto do país, o bidê é uma das peças de louça do banheiro usada como lavatório das partes genitais e do ânus)
bolicho - casa de negócios de pequeno sortimento e de pouca importância, o mesmo que bodega.
cacetinho - pão francês, pão de sal, pãozinho
china - descendente ou mulher de índio, ou pessoa de sexo feminino que apresenta alguns dos traços característicos étnicos das mulheres indígenas. Cabloca, mulher morena. Puta. Na intimidade pode até mesmo significar a esposa querida.
chinoca - Mulher.
classe - no contexto escolar, no RS é só a mesa dos alunos, chamada em outros lugares de carteira.
cusco - Cão pequeno, cão de raça ordinária. O mesmo que guaipeca, guaipé.
guampear - trair, botar chifres ("guampa")
lâmina - no contexto acadêmico, são as transparências usadas pelo professor ou, erroneamente, slides.
pelear - batalhar, trabalhar duro por alguma coisa.
sinaleira - semáforo, farol, sinal
ximia - o mesmo que geléia (mas nunca diga isso a um gaúcho!!!)
xingar - é brigar com alguém. Qualquer tipo de reprimenda, mesmo que não tenha palavrões.

26 setembro 2006

Dicionário Prático de Mineirês

Esse blog não vive apenas de momentos profundos e reflexivos... No último post, "O Meu Lugar", perguntaram-me qual era o eu lugar... Obviamente que respondi "Juiz de Fora", mas na verdade posso dizer que quase toda Minas Gerais é o meu lugar, excetuando-se alguns lugares estranhos com gente esquisita (como diria o Eduardo, de "Eduardo e Mônica").
Caso alguém de vocês vá se aventurar a conhecer MG, recomendo fazer uma imersão em diversos aspectos culturais, especialmente a língua. Para auxiliar nesse processo, trago aqui alguns vocábulos (e algumas frases completas também) de fundamental importância no processo de comunicação mineirístico.

A
antionti - antes de ontem
B
badacama
- debaixo da cama
belzonte - belo horizonte
C
cabedipassaismánazunha
- acabei de passar esmalte nas unhas
cadim - bocadinho, um pouquinho
cadiquê - o mez qui causdiquê
casopô - caixa de isopor
causdiquê - o mez qui pucausque
cetábão - você está bom? O mesmo que "você está bem?"
cetáboa - você está boa? O mesmo que "você está bem?" para mulher
cocê - com você
concorcucê - eu concordo com você
coquincuntes - é uma coisa que acontece
credincruis - credo em cruz
D
dárripidivê
- isso dá arrepio de ver
dendapia - dentro da pia
denduforno - dentro do forno
dentifrisso - dentifrício, o mesmo que pasta de dente, embora em desuso
deu - o mesmo que "di mim": "Larga deu, ô sô!"
dicoqui - de cócoras, sentar agachado
dimais da conta - além da medida; "bom... ", muito bom, excelente
djenium - de jeito nenhum
docê - de você
dodicabes - dor de cabeça
dodistongo - dor de estômago
doidimais - doido demais
donasjunta - dor nas articulações
donofigu - dor no fígado
E
éakekiliga
- é aquele que liga
émez - é mesmo?
I
iscodidente
- escova de dente
J
jizdifora - Cidade minera "pertín do RidiJanero". O "pessoar da capitár" nunca sabe se a turma de lá é "minerin" ou carioca. Daí ficam dizendo que é terra dos "carioca do brejo".
K
kabô - acabou
kapoko - daqui a pouco
kidicarne - kilo de carne
L
lidileite - litro de leite
M
magrilin
- Indivíduo muito magro
makifalducação - mas que falta de educação
manem - de forma alguma, de jeito nenhum
mastumate - massa de tomate
midipipoca - milho de pipoca
modizê - modo de dizer, maneira de falar algo
moiá a palavra - tomar um gole, beber um gole de bebida como cachaça
N
- forma reduzida de nossinhora
nossinhora - nossa senhora
nu - versão muderna do "nó", coisa dos jeca de belzonte
nutogradanodis - não estou agradando disso, não estou gostando disso
O
onquié
- onde que é?
onquoto - onde que estou
oprocevê - olha pra você ver!
óscargualzim - olha os carros iguaizinhos
óuchero - olha o cheiro!
P
pincumel
- pinga com mel
pipocumquijim - pipoca com queijinho (qualquer hora divulgo a receita!)
pokim - pouquinho, bocadinho
pondiôns - ponto de ônibus
pradaliberdade - Praça da Liberdade
prestenção - presta atenção
procê - pra você
pron-nostaminu - para onde nos estamos indo?
pucausque - por causa de quê?
puquecetamipeguntanuissu - por que você está me perguntando isso?
Q
qentá sóli
- ficar sentado de cócoras no terreiro pegando o primeiro sol da manhã pra passar o frio
quainahora - quase na hora
S
sápassado
- Sábado passado
sessetembro - sete de setembro
T
tampar
- jogar, lançar, arremessar
tidiguerra - tiro de guerra
tissodai - tira isso dai
tradaporta - atrás da porta
trem - coisa, qualquer coisa é um trem, mas nem todo trem é uma coisa.
trudia - outro dia
tupicão - também tropicão, quer dizer tropeço.
V
vidiperfumi
- vidro de perfume